viver

Uma homenagem

Renato Ferreira 04.01.2016

Podemos dividir os filmes em filmes para pensar, para rir ou para chorar. Provavelmente não é uma boa tipologia. Mas esta serve essencialmente para vos dizer que o último filme que vi deu para as três coisas: para pensar, rir e chorar.

Às tantas, durante o filme, já não sabia se chorava pelas cenas ficcionadas ou se por saber que o ator que protagoniza esta história deixou-nos na vida real - fez no passado dia 11 de Agosto um ano. Inclusive este foi o último filme em que ele participou que saiu ainda durante a sua própria vida - menos de três meses antes. No filme, Henry Altmann (Robin Williams) descobre através da médica Sharon Gill (Mila Kunis) que apenas tem 90 minutos de vida. A partir daí, vemos o desenrolar do que ele faz nessa aparentemente última hora e meia de sua vida. É claro que não vou contar muito mais do que isto para não estragar possíveis visionamentos de potenciais interessados em ver este produto da sétima arte.

O professor inspirador n’ “O Clube dos Poetas Mortos” e o médico divertido em “Patch Adams” -  os meus filmes preferidos com Robin Williams – aparece neste seu último trabalho na pele de alguém que sabe que tem pouco tempo para viver e que tenta não deixar nada de importante por dizer a quem ele mais gostava.

E nós, os ainda vivos? Quanto tempo nos restará? Presumimos que teremos ainda bastante mais tempo do que simplesmente uma hora e meia para viver, mas…quem nos garante isso?

Podia agradecer a Robin Williams pela sua carreira, pela sua vida. Não o faço agora porque ele já não me pode ouvir. Podia dizer um ‘até já’, mas a verdade é que – feliz ou infelizmente – não acredito que me vá encontrar com ele seja onde for. Resta-me a vida. A minha. E aquilo que eu decidir fazer dela… Mas lá por Robin Williams já não andar por cá, não quer dizer que não possa tomar muita atenção às palavras (e à forma de as dizer) que ele (ou, se quisermos tirar um pouco de magia a isto, o guionista dos filmes em que ele participou) nos deixa, através das suas interpretações cinematográficas.

Este último filme em que ele aparece chama-se, em português, “Aproveita a Vida, Henry Altmann”…

- “Gostaria de saber quando é que vai morrer?”

- “Não.”

- “Mas se quisesse, o que faria se soubesse quanto tempo tinha?”

- “Tentava descobrir como ser feliz.”

- “Então, porque não o faz?”

 

Talvez o faça…


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