viver

Momentos gastronómicos

Duarte Pernes 11.01.2016

Sou um adepto incondicional da boa gastronomia, tenha ela a nacionalidade que tiver e o estilo que os restaurantes, tasquinhas, snack-bares ou casas particulares, e respetivos chefes (ou aspirantes a tal epíteto), lhe quiserem imprimir. Se à arte culinária for aliada boa companhia e um cenário aprazível, tanto melhor.

Confesso, contudo, a ignorância e inaptidão no que respeita à confeção alimentar propriamente dita. Julgo ser, aliás, apropriado aludir ao bem-humorado e assertivo pensamento de Ricardo Araújo Pereira para afirmar que, no meu caso, vejo a comida mais pela ótica do utilizador. Declaro-o categoricamente, ainda que sem nenhum resquício de regozijo.

Serviram os dois primeiros parágrafos como uma declaração de parte dos meus interesses e prazeres particulares e de prelúdio para falar do Marcelinos Bar: um restaurante localizado em Angra do Heroísmo, na ilha da Terceira. Escusar-me-ei a detalhar as paisagens naturais únicas que este lugar tem para oferecer, nem tão pouco – já que os Açores são o pano de fundo – irei pormenorizar o quão delicioso é o cozido das furnas que degustei mais tarde, em São Miguel. Ambos são sobejamente conhecidos pelos portugueses em geral, independentemente de já terem tido, ou não, o prazer de usufruir deles.

No caso do Marcelinos, o reconhecimento público não será tão grande, apesar da incomensurável qualidade dos seus pratos – sobretudo em relação às carnes cuja tenrura e sabor apetitoso são apanágio de todo o arquipélago açoriano. A alcatra figura desde 1982 (ano de abertura do referido restaurante) no topo de um cardápio onde os bifes assumem o protagonismo, sendo acompanhados por um infindável leque de molhos à escolha dos comensais (com especial e pessoal destaque para o leve e requintado molho de mostarda). De salientar, também, a simpatia com que o serviço é prestado e a quietude do estabelecimento, que combina na perfeição com o tom bucólico e sossegado da Terceira.

Se é ponto assente que visitar os Açores será sempre uma decisão feliz, tomar uma refeição no Marcelinos Bar, pode ser visto – sem nenhum esforço ou elogio desmesurado e propagandístico – como um complemento irresistivelmente tentador. No fundo, trata-se de uma feliz combinação.

Termino este texto como o principiei. Ou seja, reiterando o meu gosto por bons momentos passados à mesa. Cá por mim, o caro leitor poderá pois contar com mais artigos deste teor, assim eu não deixe desvanecer a minha curiosidade cultural. E o meu apetite apurado também…     


Relacionados

Tão longe, tão perto

Não é à toa que, recorrentemente, o Brasil é referido como sendo o nosso “país...

Continuar a ler Duarte Pernes   15.07.2018

Bloco menos central

O PS e o PSD perderam votos nos Açores. É uma tendência geral: os partidos do...

Ver vídeo Ricardo Jorge Pinto   17.10.2016

Comentários

Não existem comentários ainda. Porque não ser o primeiro?

Novo comentário