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Txakoli Simon

Duarte Pernes 11.01.2016

O basco é, provavelmente, um dos idiomas mais difíceis de dominar em toda a Europa. Significativamente mais fácil é a forma como, em geral, os que visitam aquela região se deixam encantar, por exemplo, pela afabilidade dos locais, pela beleza das cidades e, como não poderia deixar de ser, por uma gastronomia deliciosa. Estas particularidades, em conjunto, funcionam como um cartão-de-visita irresistível. Bilbau, o centro urbano com o maior número de habitantes do País Basco, é um exemplo perfeito da materialização de todas elas.

Está quase a fazer um ano desde que, pela primeira vez, estive em Bilbau e, por conseguinte, pude também experienciar e saborear os seus inúmeros predicados. E se há um lugar onde, à mesa, é possível fazer confluir todos estes atributos, esse será com certeza o restaurante Txakoli Simón. Talvez por isso seja tão difícil de descobrir. Mas adiante, já lá chegarei.

Situado na zona montanhosa que rodeia a cidade (chamada Artxanda), o Txakoli Simón faz jus ao terrível exercício de tentar pronunciar ou decorar um nome em basco. Tão ou mais delicado foi, realmente, conseguir dar com o estabelecimento. Esclareça-se que o mesmo me tinha sido indicado por uma rececionista da unidade hoteleira em que fiquei instalado e que mo apresentou como «um dos melhores restaurantes de Bilbau». Tal designação aguçou o meu apetite, já de si constantemente desperto.

Para se chegar a Artxanda há duas hipóteses: ou seguir de carro ou através de um funicular que parte de Bilbau até à montanha. Optei pela primeira. Aí chegado esperava-me – a mim e aos dois amigos que me acompanharam – a missão mais delicada: encontrar o tal restaurante. Não havia indicações exatas, nem sequer dos transeuntes que, ocasionalmente, se encontravam por lá. Quando estávamos prestes a desistir, conseguimos chegar à conversa com um fornecedor de vinhos que disse conhecer o estabelecimento (afinal, existia mesmo!) e que, simpaticamente, nos indicou a direção a seguir. Depois de percorrermos um caminho bastante sinuoso e algo acidentado, lá avistamos finalmente o Txakoli Simón.

Já passava das 13:30 e não tínhamos mesa marcada. À primeira vista, tal não seria um entrave devido à quantidade de mesas que, no momento, estavam vazias. Contudo, só duas estavam realmente disponíveis. As outras tinham sido reservadas e, de facto, o restaurante havia enchido por completo, nem vinte minutos após nos termos sentado.

A primeira curiosidade que quisemos desfazer foi, precisamente, o porquê do Txakoli Simón se encontrar tão “““resguardado””” (vai assim mesmo: carregado de aspas). A resposta de uma das empregadas de mesa foi pronta e com um sorriso no rosto, próprio de quem já está habituada àquela pergunta: «imagino o que passaram para chegar até aqui, mas o patrão quer que seja assim e não há nada a fazer».

De qualquer forma, a exasperação pelo tempo perdido na busca do restaurante deu lugar à satisfação de uma aventura realizada, com um desfecho feliz e que mais radioso se tornou depois de degustarmos uma belíssima tábua de enchidos. Isto antes de provarmos, como prato principal, a famosa chuleta a la brasa basca – um tipo de carne laminado na grelha. Tudo num espaço moderno, amplo e aprazível para um belíssimo repasto.

No final da refeição, a opinião foi unânime: «valeu a pena». E valerá sempre a pena passear por Bilbao, tomar o pequeno-almoço na Panaderia Bertiz (com as suas tortilhas recheadas com queijo derretido), visitar o ímpar (pela arquitetura do edifício e pelas obras de arte no interior) museu Guggenheim e, lá para a hora do almoço, passar pela aventura de procurar (e, de preferência, encontrar) o Txakoli Simón.       


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