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Espetáculo informativo

Duarte Pernes 11.01.2016

Josep Pedrerol é um dos mais conhecidos jornalistas desportivos espanhóis. Atualmente, é diretor e apresentador do programa Chiringuito de Jugones (outrora chamado Punto Pelota) que se mantém há vários anos como líder de audiências no país vizinho. Ferrán Monegal, por seu turno, é um jornalista e crítico de televisão que, entre outros trabalhos, apresentou o Telemonegal, emitido no canal catalão Barcelona Televisió entre 2003 e 2013. 

Corria justamente o ano de 2013 quando Pedrerol foi ao Telemonegal. O objetivo foi, essencialmente, discutir o sensacionalismo que, no entender, de Ferran Monegal perpassava por uma boa parte da televisão espanhola e, em particular, pelo Punto Pelota. Na sua perspetiva, este programa desportivo excedia os limites do entretenimento que a informação também contempla, deixando por isso mesmo de se poder, segundo ele, constituir como um espaço jornalístico, para ser só um «show». Já Josep Pedrerol contra-argumentou, garantindo que o primeiro e único desiderato seu e dos que com ele colaboram é fazer jornalismo, ainda que com espetáculo à mistura.

A partir daqui, decorre um interessante debate entre duas figuras com visões claramente antagónicas sobre o modus operandi do jornalismo em televisão e que remete para um tema várias vezes analisado por diversos estudiosos desta área: até onde pode ir o espetáculo no jornalismo, de modo a não subverter a sua essência informativa? Sobre isto, o professor universitário Ian Hargreaves tem um interessante apontamento no seu livro Journalism –  A very short Introduction, publicado no ano de 2005:

O jornalismo sempre entreteve, tal como informou. Se não tivesse feito isso, não teria chegado a um público de massas. Mas hoje, dizem os críticos do jornalismo, o instinto para divertir está a dirigir a vontade e a esgotar os recursos para análises e relatos sérios. Obcecado com um mundo de celebridades e curiosidades, os meios de comunicação estão a apodrecer os nossos cérebros e a minar a nossa vida cívica.

Quer Monegal, quer Pedrerol esgrimem argumentos válidos e pertinentes para sustentar as posições dissonantes que assumem com frontalidade. Voltando ao excerto de Hargreaves, poder-se-ia talvez afirmar que enquanto Josep Pedrerol subscreveria sem hesitar as duas primeiras frases, Monegal ficar-se-ia apenas pelas duas últimas. Porém, o que de mais próximo da objetividade e correção se poderá asseverar sobre esta matéria está, porventura, na junção das quatro, sem que com isso se incorra nalguma incompatibilidade ou incongruência.        

 

Em baixo, seguem as três partes do programa. A conversa dá-se em catalão, mas encontra-se devidamente legendada em castelhano.

 

Parte 1.

 

Parte 2.

 

Parte 3.


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