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Mulheres

Ana Marinho da Silva 18.01.2016

Ao longo dos anos, o papel das mulheres na sociedade foi sofrendo alterações. Antigamente, as figuras femininas não tinham a liberdade de expressão que hoje têm, em vez disso tinham um conjunto de leis e regras machistas que as proibiam de diversas funções, diferenciando-as dos homens.

As mulheres foram, desde sempre, associadas aos papéis tradicionais na esfera familiar: limpar, cozinhar, cuidar dos filhos… mas não é bem assim. Toda a história da vida no feminino é feita de tensões, estagnações e regressões que nas sociedades contemporâneas não parecem ter terminado. A nível salarial é visível que os homens são melhor remunerados que as mulheres. Porém, podemos dizer que ao longo dos anos se tem verificado um acréscimo no número de mulheres que entraram no mundo do trabalho assalariado e que passaram a desempenhar funções tradicionalmente masculinas, sem nunca descorarem as tarefas domésticas.

Nesta perspetiva a mulher acaba por sofrer um “duplo fardo”, pois assume vários papéis (trabalhadora, dona de casa e mãe), sem nunca se esquecer dos certos padrões de moda que tem de assumir para conseguir um bom trabalho e até mesmo para o manter. Com tantos cargos e funções, podemos definir as figuras femininas como “super mulheres”.

Foi comprovado que as mulheres ampliaram em muito a sua escolaridade e que obtêm cada vez mais diplomas de cursos superiores, acabando mesmo por serem mais numerosas do que os homens em quase todos os graus de ensino. Por exemplo, em 1991 as mulheres formavam a maioria dos diplomados que saíam do ensino superior (54%). Isto é um passo que tem contribuído para reduzir as diferenças entre homens e mulheres na vida ativa.

Em diversos países do mundo, a violência continua a ser um aspeto negativo que afeta imensas mulheres. Muitas vezes envolve discriminação e preconceito por questões de ordem matrimonial, cultural ou mesmo religiosa e pode assumir várias formas, desde o assédio verbal até à morte.

O feminicídio é normalmente cometido por homens, mas também por membros da família da vítima. Pode envolver o abuso contínuo em casa com ameaças ou intimidação, violência sexual ou situações em que as mulheres têm menos poder ou recursos que o atacante. Pode ser relacionado ao dote, que é mais evidente no continente indiano, onde a família da noiva oferece uma quantia de bens ao noivo. O feminicídio também pode ser não-intimo. Este é cometido por alguém que não tenha qualquer tipo de relacionamento com a mulher, através de estupros, assédios, assassinatos.

Mais de 35% dos homicídios são cometidos pelo parceiro, mas não ficamos por aqui. Calculam que 25 mil mulheres recém-casadas são mortas ou mutiladas por ano e a ONU estima que todos os anos, no mínimo, 5 mil mulheres são mortas por “crimes de honra” no mundo, ou seja, são assassinadas a mando da própria família por suspeita de adultério, relações sexuais ou gravidez fora do casamento.

Existem algumas organizações contra a violência nas mulheres e têm surgido várias leis e direitos que apoiam as vítimas femininas, prestando-lhes a segurança e a ajuda necessária. Contudo, é um tema sobre o qual o mundo se deve debruçar, tentando arranjar uma solução para este medo que assombra muitas mulheres.

Desde o final do século XIX que o movimento feminista procurou chamar a atenção para as diferenças que rebaixavam as mulheres e sempre afirmou que elas “devem, querem e podem ocupar os espaços de poder que lhes pertencem pelo facto de serem pessoas humanas”. Este conjunto de correntes de pensamento sobre os direitos das mulheres não é contra os homens, mas sim contra o sexismo. O objetivo é garantir uma partilha de parceria e paridade entre homens e mulheres a vários níveis como o religioso, o político, o militar, o empresarial e o familiar.

O direito de eleger e ser eleita, de ter acesso à educação e a determinadas profissões, foram obtidos pelos movimentos feministas ao longo de décadas, mas nada está permanentemente adquirido. As mulheres têm de continuar a lutar para conservarem a liberdade que têm atualmente e para alcançarem mais direitos que continuam apenas a favorecer o género masculino.

 


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