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Querido Pai Natal

Ana Marinho da Silva 18.01.2016

Querido Pai Natal, este ano escrevo-te de forma diferente. Já não vou colocar a carta no correio e esperar pela tua resposta, como de costume. Hoje, aqui e agora, dirijo-me a ti por um blog (e olha que é um bom blog) para te falar de 2015.

Não foi fácil, mas também não foi inteiramente difícil. Posso afirmar-te que foi um ano em que aprendi muito, em todos os aspetos. Descobri imenso sobre mim, sobre os outros e sobre a minha relação com eles. Conheci pessoas, situações e lugares. Cresci.

Começamos por onde? Pela falência do BES ou pelo facto de apesar da coligação Portugal à Frente ter ganho, quem foi digitado primeiro-ministro foi o António Costa? Não, não. Já sei! Vamos começar pela Joana Amaral Dias, que se despiu para uma revista. Guess someone was naughty this year Santa.

Mas apesar disto, relembremos quem partiu. Este ano, Portugal perdeu grandes pessoas, que juntamente com todos os outros portugueses, davam outra cor ao país. Maria Zamora, Nuno Melo, Delfina Cruz, Manoel de Oliveira, Maria Barroso, Filipa Vacondeus e Mariano Gago. Foram os sete que partiram, mas que deixaram o seu legado. Juntamente com tantos que não são conhecidos publicamente. Este ano perdi uma pessoa de quem muito gostava e de quem gostarei sempre. Pois ninguém morre definitivamente. Não acredito na ressurreição, mas acredito na vida eterna. Uma pessoa que deixa de estar fisicamente presente entre nós, estará sempre viva nas fotografias, nos vídeos, nos espaços, nos cheiros, nas memórias. Continuará a arrancar-nos sorrisos, lágrimas e suspiros. Continuará dentro de nós, tal como uma célebre frase do filme O Principezinho “deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”.

Mas não te quero falar apenas de Portugal, quero-te falar do Mundo e de como ele mudou este ano. Não me refiro às placas tectónicas que se moveram ou ao nível da água que aumentou. Refiro-me à humanidade do Mundo. E questiono-te se ela ainda tem a mesma forma. 

Falo-te do avião do voo 9525 que se despenhou nos Alpes franceses pelas mãos de um homem depressivo. Da guerra civil na Síria e da crise dos refugiados que tanta polêmica gerou numa versão mundial de “prós e contras”. Da luta internacional contra o Estado Islâmico, em que todos se têm unido para destruir este grupo. Das lágrimas derramadas pela tragédia do Charlie Hebdo, em que a humanidade se passou a chamar Charlie. Ou mais recentemente, da oração mundial por Paris (“Pray for Paris”), em que os corações de todas as pessoas se unificaram passando a ser um só.

E a perda cultural tremenda no Nepal? Juntamente com milhares de mortes. Tudo devido a um sismo. A força que a natureza tem, não é? Bem que têm razão aqueles que dizem: “a natureza não precisa de nós, nós é que precisamos da natureza”. Infelizmente, nem todos percebem isso e existe a necessidade de garantir que a “raça humana” é a superior a qualquer outra. Para isso matam os animais. Este ano mataram o leão Cecil e tantos outros que não foram falados nos media. Sei que todos os dias milhões de animais são mortos para nos alimentarmos e é algo necessário, mas as pessoas esquecem-se que devemos agradecer por toda a comida que temos, por todos os animais que são sacrificados para sobrevivermos. Devemos evitar desperdícios, sermos mais conscientes dos nossos atos e preservar o Mundo partilhado que é o nosso.

 

Para além disso, muitos assuntos que estiveram na boca de todas as pessoas: a crise da dívida grega, da qual, muito sinceramente, não liguei muito; os protestos em Baltimore, após a morte de Freddy Gray causada por um grupo de polícias por razões racistas, que me revoltou profundamente, é tão triste ver como ainda existem tantos preconceitos; a corrupção e fraude da FIFA, do Blatter e do Platini, que para mim já deveriam ter sido corridos à muito tempo (desculpa Pai Natal, mas eles são mauzões).

Mas nem tudo foi mau. Finalmente foi aprovado o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Finalmente o amor venceu (“love wins”). A NASA divulgou uma fotografia de Plutão, que levou a múltiplas brincadeiras carinhosas, devido à forma de coração “Pluto loves you” e eu afirmo: we love Pluto. Foi descoberta água em Marte, mais um passo para conhecermos os nossos amigos do sistema solar. Quem sabe daqui a uns aninhos já estamos a passar férias por lá.

Depois, o Bruce passou a ser a Caitlyn [Jenner], a Ronda Rousey deu cabo da sua adversária em 14 segundos (um grande K.O. devo admitir), houve o combate do ano entre Mayweather e Pacquiao e a Adele regressou em grande. Mas deixo-te estes links para perceberes como foi este ano:

http://www.reuters.com/news/picture/pictures-of-the-year?articleId=USRTX1VU9I

https://www.youtube.com/watch?v=KK9bwTlAvgo

https://www.youtube.com/watch?v=q7o7R5BgWDY

http://shifter.pt/2015/12/assim-foi-2015-segundo-o-facebook/

O que te peço este ano é simples. Não te peço a camisola da moda ou as sapatilhas de marca que todos usam. Não te peço um telemóvel, um computador ou nada parecido. Este ano peço-te todas as coisas subjetivas que podes imaginar. Paz, amor, saúde, carinho, riqueza, felicidade, esperança... creio que já percebeste. Peço-te que restaures a esperança no Mundo e a fé na humanidade. Peço-te que não deixes o ódio e a inveja consumir as pessoas. Peço-te que acredites em nós, como nós acreditamos em ti. E que, de alguma forma, não preenchas as pessoas com materialismos, mas sim com sentimentos verdadeiros e emoções sinceras. Por favor, papá de barbas brancas, toca nos corações das pessoas, para que se construa um mundo melhor.

Feliz Natal.

 


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