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Made in Portugal

Liliana Machado 01.03.2016

Somos todos patriotas… até certo ponto.

 

A alma portuguesa é uma coisa inexplicável. É algo divino, à semelhança do que reza o Credo: “visível e invisível”.

 

- Visível porque o nosso sentimento luso grita em público, a todo o pulmão, com a mítica chaveta “só compro o que é nacional”. Mas é vê-los enfiados nas “lojas dos chineses”, porque o que é nacional tem qualidade e a qualidade custa caro. Sem querer ferir susceptibilidades alheias, que isto agora, qualquer opinião menos positiva que inclua outras nacionalidades, pode ser considerado racismo ou xenofobia.

 

Tomemos de assalto Espanha: valorizam o que é deles. Tanto que investiram contra os camiões de leite lusitano e despejaram-no nas praças espanholas. Existe aqui algo de profundamente místico. Se hoje até nos tratamos por “nuestros hermanos”, no passado já fomos inimigos territoriais. E, se no passado se derramou sangue nas pracetas, hoje derrama-se leite. Ora digam lá se não é uma cena mítica? (Isto é um "à parte", cenários de uma consumidora de correntes romancistas).

 

- Invisível porque, na hora da verdade, o sentimento patriótico desvanece perante os sucessos dos nossos compatriotas. O Cristiano Ronaldo é o melhor do mundo? Não faz mais que a obrigação dele, ganha uma fortuna. O Mourinho? Oh… é um arrogante, julga-se um special one.

 

E a alma portuguesa passa, assim, do visível ao invisível.

 

O Made in Portugal ainda é uma frase que vem nas etiquetas, às quais damos uma tesourada, porque essas coisas parvas que vêm cosidas nas costuras da roupa só servem para fazer cócegas no pescoço.  

 

Só quando atentarmos no verdadeiro significado do Made in Portugal é que podemos crescer em todos os sectores e tornar este país numa forte potência, com lugar cativo, não só na Europa, mas no mundo. Mas, primeiro, temos de começar dentro da nossa própria casa. Nem a nossa própria língua se conseguiu preservar, adotando (e enquanto escrevo esta palavra a porcaria do computador dá erro e lembra-me que há acordo ortográfico a respeitar) os brasileirismos.  

 

Para finalizar: só para dizer que este texto é Made in Portugal (embora com brasileirismos, pois não sei se há polícia das palavras que multe pelo não uso do acordo ortográfico).

 


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