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Cartas a um jovem...

Renato Ferreira 15.04.2016

Às sextas, às seis...um livro.

Uma sugestão de Renato Ferreira.

Há cartas para (quase) todos os gostos. Conheço as “Cartas a uma jovem matemática”, de Ian Stewart, as “Cartas a um jovem romancista”, de Mario Vargas Llosa, as “Cartas a um jovem político”, de Fernando Henrique Cardoso, as “Cartas a um jovem poeta”, de Rainer Maria Rilke, as “Cartas a um jovem jornalista”, de Juan Luis Cebrián, e…livro sugerido esta semana…as “Cartas a um jovem cientista”, de Edward O. Wilson.

Edward O.Wilson é um dos mais conceituados biólogos do mundo. Ele é, provavelmente, a autoridade máxima na sua especialidade: as formigas. Considerado também pai da Sociobiologia, já ganhou 2 Prémios Pulitzer  - em 1979 com o livro “On Human Nature” e em 1991 com “The Ants”.

Neste livro encontramos, caso queiramos aprofundar a nossa carreira de cientista, motivação em abundância, sendo que, segundo o autor, cada um de nós pode atingir o estatuto de autoridade mundial em determinada área. Na pág.44, podemos ler: “Não se trata de ambição excessiva. Há milhares de temas em ciência, dispersos desde a Física e Química à Biologia e às Ciências Sociais, onde é possível num curto espaço de tempo obter o estatuto de autoridade na matéria”, acrescentando que “a sociedade precisa deste nível de proficiência e recompensa as pessoas que a pretendem adquirir”.

Se isto de alguma forma entusiasmar quem está a ler este texto, mas neste momento não sabe que especialidade escolher, neste livro encontramos pistas também para a escolha. A frase que sintetiza a ideia deste cientista em relação a isso diz tudo: “Primeiro paixão, depois formação”. Assim sendo, e parafraseando o autor, temos que, depois de encontrado o nosso gosto maior na área das ciências, obedecer a essa paixão enquanto durar, alimentando-a com os conhecimentos de que a mente necessita para crescer. “E seja suficientemente esperto para mudar para um amor maior, se ele aparecer”, aconselha ele.

Mas se tivesse que escolher uma só frase deste livro, a escolha iria para uma que já utilizei em comunicações em encontros científicos: “O cientista ideal pensa como um poeta e só mais tarde trabalha como um contabilista”. Edward O. Wilson, nascido em 1929, já teve certamente tempo para acumular experiência e sabedoria para escrever um livro como este. Eu, de minha parte, só tenho que lhe agradecer. “Cartas a um jovem cientista” – um livro sobre a paixão e a maravilha da descoberta…

Deixo aqui um vídeo onde Edward O. Wilson, numa conferência TED, resume o livro que sugiro esta semana. Este vídeo foi gravado em 2012, um ano antes do livro ter sido publicado.

 

 


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