viver

Os Memoráveis

Renato Ferreira 14.10.2016

Às sextas, às seis...um livro.

Esta semana a sugestão é de Renato Ferreira.

Por estes dias ando a fazer uma viagem ao 25 de abril. O 25 de abril português. O dia em que a democracia bateu à porta deste nosso país. Tenho feito esta viagem na companhia de Ana Maria Machado, uma jornalista portuguesa que trabalha na CBS em Washington e que foi enviada ao seu próprio país para fazer um documentário sobre a Revolução de 1974. Ela já não vinha cá há 5 anos. Mas não só eu e a Ana. Ela chamou também antigos colegas dela de faculdade – a Margarida Lota e o Miguel Ângelo. Nós os 4 temos entrevistado alguns intervenientes e testemunhas da revolução de abril para entendermos melhor o que então se passou.

Ao mesmo tempo, a Ana (que eu não conhecia antes de começar a ler este livro de Lídia Jorge) vai contando histórias sobre o seu pai, o António Machado, numa história paralela à investigação feita por nós sobre aquele momento grande da história de Portugal (que, diga-se, eu não assisti enquanto cidadão do palco – ainda por cá não andava).

Ainda vou a meio do livro. Por isso ainda não vos posso dizer se efectivamente conseguiremos fazer o documentário. Talvez mais tarde vos diga. O que eu posso dizer é que desde “O Dia dos Prodígios”, no ano em que tudo começou literariamente para a Lídia Jorge e que tudo começou literalmente para mim, tenho tido alguns encontros com esta escritora algarvia nascida em 1946. Primeiro foi ali quem vai pela saída da minha adolescência e desemboca na Rua dos Vintes e encontra “O Jardim sem Limites” – sim, aí por acaso ainda não temos bem delimitados limites àquilo que podemos fazer; depois, já iam os Vintes bem embalados, passei e deixei-me encantar pelo “O Vale da Paixão”. Felizmente sobrevivi para contar. E para cantar, já agora… Cantei tanto que, antes destes memoráveis anos que acredito estar a viver, passei pela “A Noite das Mulheres Cantoras”…

Serve este pequeno texto para agradecer à Lídia Jorge. Tem lugar privilegiado na minha pequena biblioteca. Apesar de só ter 4 das muitas obras que ela escreveu, considero-a companheira de viagem – que é assim que considero àqueles que coloco cá em casa nas prateleiras. Muito obrigado.

E agora peço a vossa licença para ir…

A Ana, a Margarida e o Miguel estão a chamar-me… Temos mais uma entrevista a fazer…

Pergunto-me: onde isto irá parar?


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