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Amina & Guterres

Hélia Saraiva 28.12.2016

Sininho, Winnie the Pooh e Mulher Maravilha são nomes de personagens que ecoam nos nosso ouvidos, avivam as nossas memórias e os nossos desejos pelo motivo de nalguma ocasião terem estado presentes nas nossas vidas.

Haverá alguém que não tenha sonhado em vestir a pele de algumas delas ou possuir algum dos respetivos super poderes? São heroínas integradoras do nosso imaginário pelo motivo de sacudirem o nosso espírito e, simultaneamente, expressarem um desígnio irredutível de melhorarem o mundo. Por essa razão, foram nomeadas, em épocas distintas, embaixadoras honorárias das Nações Unidas.

A primeira, a fada Sinhinho, defendeu a ecologia; a segunda, Winnie the Pooh, representou a embaixada da amizade e a última exerce a função de embaixadora para o empoderamento das mulheres e das meninas até ao próximo ano. Os fundamentos apresentados para justificar a escolha da terceira personagem para empoderar o universo feminino foi sujeita críticas relacionadas com a sua inexistência empírica, a sua aparência e o facto de constituir um exemplo icónico da cultura popular, de feição capitalista. O teor dos argumentos críticos à nomeação da Mulher Maravilha revela que tanto o conceito de heroína como a sua imagem conceptual carece de ductibilidade, levando-nos a pensar, para os efeitos desta crónica, que essa valência é ilustrativa da necessidade de um critério de diferenciação exclusivo de alguns - escassos - seres humanos, em particular daqueles movidos por um imperativo social e moral.  Apraz-nos pensar que esse imperativo esteve presente na escolha, realizada por António Guterres, de Amina J. Mohammed para o exercício do cargo de Secretária Adjunta do Secretário Geral das Nações Unidas.

Admitimos que as pessoas menos familiarizados com as ações concretizadas pela nigeriana associam o seu nome a uma das três mulheres selecionadas para a equipa daquele: Maria Luiza Ribeiro Viotti e  Kyung-wha Kang. No entanto, os menos distraídos lembrar-se-ão que a qualidade notável do trabalho discreto da senhora é consentâneo com as diligências que proeficientemente desempenhou na qualidade de Ministra do Meio Ambiente na Nigéria, assessora especial de Ban Ki-moon para o desenvolvimento da sustentabilidade e para a implementação das Medidas de Desenvolvimento Sustentável que identifica graciosamente como os “seus dezassete filhos”. Paralelamente a estes cargos, a heroína gerou seis filhos, lecionou na Universidade Columbia, em Nova Iorque, e profere palestras com uma eloquência cativante.

 

Ouçamo-la:



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