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Carta de amor

Ana Marinho da Silva 03.01.2017

O amor tem uma magia que desconhecemos.

Não é uma equação como dizem os matemáticos, nem uma fórmula como dizem os químicos.
Se bem que podemos usar a soma para definir o amor. Soma-se duas pessoas, que vai criar mais amor, mais felicidade e quem sabe, mais uma pessoa. Podemos usar a fórmula para dizer que estes dois corpos se ligam. Conectamo-nos com a outra pessoa como na fusão de dois elementos químicos. Tornamo-nos num único ser. Tal como o oxigénio. E tal como ele, também não vivemos sem amor.

No entanto, acho que o amor em nada se relaciona com a ciência, mas sim com os nossos sentidos. Sim, os nossos 5 sentidos. E com as palavras.

Como nos poderíamos expressar sem poder cheirar, tocar, ver, saborear, ouvir, escrever e falar? Sim, existem pessoas cegas, surdas e mudas. Algumas por escolha de Deus, se me permites colocar a religião ao barulho, mas essas pessoas já nasceram com o dom de amar sem os sentidos. Amam pela presença, pela paciência, pela sua que sentem.
No entanto, os outros cegos, surdos, mudos que nasceram capazes de tudo, mas foram perdendo com o tempo essas capacidades por inconsciência deles... esses não merecem o amor, nem as palavras que aprenderam. Se bem que o amor é a única salvação deles.
 
Eu aprendi a amar com os meus pais. Com uma simples preocupação, um simples gesto, um simples sorriso e um simples olhar. Porque o amor que os meus pais me ensinaram é o mais puro, simples e honesto. Sem ganância, sem luta. Só amor.

Já tu, trabalhaste-me o amor. Como se trabalham os panos de Viana. Muita delicadeza, muito suor e por vezes, dor.
Contigo aprendi a lutar pelo que amo. Aprendi o amor selvagem, que me faz enfrentar vales e montanhas, rios e mares e até a mais tumptuosa tempestade. Descobri o que é querer algo só para nós, mas saber dar-lhe a liberdade para não haver sufoco. Já não é como os brinquedos que adorava e não queria partilhar. Agora tenho-te, mas não és só meu. És do mundo. És teu. És nosso. Assim como eu sou nossa e o nosso amor é nosso.

Contigo aprendi que amor nem sempre nos dá as palavras, às vezes ele acha por bem roubá-las, porque existem sentimentos inexplicáveis, momentos de silêncio e emoção.

Às vezes as palavras são um estorvo.

Quantas vezes te quero dizer o quanto te amo e não arranjo as palavras certas? Porra para as palavras. Às vezes são tão complicadas, tal como eu... Porque as palavras sou eu e eu não vivo sem elas (nem sem ti). Mas se me amas, amas as palavras e a carga sentimental ligada a elas. As palavras às vezes magoam, mas na maioria fazem tão bem.

Tal como eu te quero fazer sempre: bem (e feliz).

Ensinaste-me um amor de guerra. Em que luto por ti todos os dias e tu por mim. Em que choro por ti. Sofro contigo. Em que amo perdida e loucamente. Como só existisses tu e mais ninguém, consegues compreender-me? E foda-se para os outros, porque és tudo o que quero!

O português é bruto não é?

As palavras são brutas não é?

Mas tão sinceras e sei que percebes o que eu quero dizer. Que eu te amo louca e perdidamente e que faria tudo por ti. Tal como num momento de guerra. Todos lutam por uma só coisa. Eu só luto por ti e pelo nosso amor.

Luto pelo nosso.

Luto por este amor que me corre nas veias e me faz bater o coração. Que me sacia e me leva à loucura.

Este amor teu.

Meu.

Nosso.

Este amor.

Tão bom.

Tão doce.

Tão louco.

Tão determinado.

Tão feliz.

Tão tudo.

Este amor que me é tudo, tal como tu.


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