aprender

Jovens e Política

Rui Mesquita 13.02.2017

Rúben Pinto é jovem e presidente da Juventude Social Democrata (JSD), mas acima de tudo assume-se como um jovem que sente na pele todas as más políticas que são praticadas contra a sua faixa etária. Numa entrevista formal mas ao mesmo tempo descontraída, Rúben (como quer ser chamado) analisa e explora todas as variáveis que provocam o afastamento dos jovens da política.  

Fechados numa sala da concelhia do Partido Social Democrata de Vila Nova de Gaia, Rubén coloca os cotovelos sobre a mesa, pede que o trate por “tu” e, num tom emotivo, abre o jogo. 

 

Nos dias que correm, até que ponto consideras que os jovens se encontram afastados do mundo da política? 

Eu tenho uma opinião muito bem vincada em relação a esse assunto. Primeiro é preciso conviver com os jovens e ser detentor da verdadeira opinião deles, é necessário estar presente e ter contacto com eles para ter a verdadeira noção se eles se encontram afastados ou não. Quando me dizem que os jovens estão completamente afastados da política, para mim isso é errado, concordo que os jovens se encontrem um pouco afastados e isto acontece devido a dois fenómenos que são a descredibilização política que tem vindo a acontecer e o facto de a democracia ter deixado de ser moda. Falando um pouco da JSD de Gaia, a nossa militância poderá ter descido ligeiramente no entanto há imensos jovens que aderem à nossa juventude partidária e que atingem um lugar de relevo nos quadros do partido.. 

Ou seja, há menor número de militantes mas um grande aumento de qualidade… 

Exatamente, há cada vez mais jovens a quererem vincar a sua opinião e a quererem fazer política. 

Segundo um estudo do Expresso: em 2007 havia cerca de 13,6% dos jovens filiados a juventudes partidárias contudo em 2015 existiu uma descida épica para 3,7%, como comentas isto? 

Isto acontece porque, quando os jovens deixam de exercer a sua militância ativa existe uma limpeza dos cadernos de militantes, o que faz com que os membros do partido deixem de constar nas listas dos partidos. No entanto, isto não deixa de ser preocupante, porque quer dizer que as juventudes partidárias e não falo só da JSD mas sim de todas as juventudes, não se estão a conseguir impôr perante os jovens. As juventudes partidárias precisam tomar uma atitude em relação a este facto de modo a voltar a atrair os jovens. 

Consideras então que as políticas que são praticadas são pouco direcionadas para os jovens? 

Exatamente.. 

Aliás segundo a edição do Público de 31/01/2016 “ Os partidos e candidatos consideram inútil apresentar medidas que convençam os jovens a votar pois na verdade os jovens votam menos que o resto dos portugueses” 

Exatamente… e o resultado dessa mentalidade, é a abstenção jovem nos atos eleitorais. Os jovens procuram os programas eleitorais para se reverem nas ideologias e chegam à conlusão que impossível e por esse motivo decidem não votar. 

Consideras que os nosso políticos são então os culpados deste afasmento? 

Sem dúvida, porque o que dá a entender é que os nossos políticos deixaram de se preocupar com os nossos jovens.

Mas o que é certo é o que os jovens de hoje são os governantes de amanhã… 

Ora nem mais, essa é a mensagem que tento passar aos jovens com quem tenho contacto para que um dia mais tarde as gerações que vêm a seguir a eles não sejam postas de lado como a deles. 

Para terminar, que tipo de inciativas deveriam ser levadas a cabo para atrair os jovens para a política? 

É necessário investir nos jovens e este investimento tem de vir da parte das juventudes partidárias. Externamente, é necessário ter uma relação de proximidade com os jovens, saber falar com eles e acima de tudo saber ouvi-los. É necessário que os jovens percebem que são o futuro e é importante leva-los à participação cívica. 

Muito obrigado Rúben

Obrigado eu.

 


Relacionados

As horas do mundo

Os ciclos noticiosos contam-se agora ao minuto. Mas ainda há jornais para falar de...

Ver vídeo Ricardo Jorge Pinto   07.12.2017

A seco

A seca ocupa agora as páginas dos jornais. Até que comece a chover e nos...

Ver vídeo Ricardo Jorge Pinto   31.10.2017

Comentários

Anónimo

13.02.2017

Pede que o trate por "tu"? Mas o Sr. Jornalista não o tratava já por "tu", sendo militante da estrutura que o entrevistado preside?

Novo comentário