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Economia afetiva

Hélia Saraiva 20.02.2017

Indignamo-nos com notícias sobre a excisão feminina, sobre as atrocidades exercidas sobre as crianças, reagimos com esgares horrorizados face à violência do recrutamento das crianças soldado, lançamos impropérios sobre aqueles que lucram com a prostituição infantil.

Porém, tendemos à complacência quando um dos membros de um casal, em processo de divórcio, massacra os ouvidos dos filhos com detalhes contra @ progenit@r, assim como quando um desses membros impede que o outro veja ou visite os filhos.
Não estará este a sacrificar os pequenos, intoxicando as suas emoções e poluindo as suas perspetivas? A inseminação de amargura e a interferência negativa na imagem que os filhos têm de um dos seus progenitores não os direciona para uma emotividade desajustada sujeita a condicionar as futuras relações dos jovens?

 

Recorremos ao seguinte cenário: um casal infeliz decide tolerar o infortunado casamento para poupar dissabores aos filhos. Empenha-se em encenar convivências familiares equilibradas num elástico mitigador do impacto das cedências e das tensões, que vai adquirindo lassidão  desvinculando o elo sacramental. A boa vontade de cada um dos membros do ex-casal leva-os a prometerem a si próprios que não descontarão nos filhos a faturas dos seus dissabores, por isso juram assegurar a manutenção das ações características da parentalidade, a pensão alimentícia, bem outras remunerações para bem das crianças. Impõem a si mesmos a ideia voluntariosa da imutabilidade relacional junto dos pequenos; forjam a ideia do amor como um valor incondicional.

 

No entanto, a necessidade de acreditar defender esta crença sofre algum desgaste ao longo do tempo, uma vez que a decisão não é imune a cansaços, distrações nem mágoas. Enfim, a torpores propícios à leitura calculista e manipuladora das atitudes de um dos membros constituintes do outrora par. Iniciada, deste modo, a adubação do campo do ressentimento, vislumbramos que um daqueles passa a empregar os filhos como instrumento propício a emendar os seus erros, transformando-os em emissários das suas missões, tornando-os executantes dos seus lances de campanha contra @ excompanheir@, convertendo-os em mexeriqueiros e até em snipers das  batalhas com @s ex-cônjuges

Feitas estas afirmações, lembramos que o sentimento amoroso está intimamente relacionado com a segurança afetiva e não com chantagens, nem transações traduzidos em fórmulas referentes à quantidade de presentes oferecida pel@ progenitor, a viagem mais cool, ou o maior exalador de poluentes emocionais.

 

O envolvimento estabelecido na ligação entre pais e filhos permite que estes cresçam equilibradamente, diminuindo receios infundados em enfrentarem as necessidades e as dificuldades diárias. Com efeito, um processo de vinculação securizante favorece a confiança nos próprios e a habilidade para ultrapassar barreiras, cruciais para ampliar as sensações de bem estar consigo próprio e com os outros seres vivos.

 

Apoiamo-nos nesta mensagem final para apresentarmos sugestões aprazíveis para o fim de semana:

 

Espetáculo equestre - apresentação de exercícios de equitação e coreografias executadas, ao som de música, pelos cavaleiros e cavalos da Escola Portuguesa de Arte Equestre

 

After love - um filme realizado pelo belga Joachim Lafosse, cuja originalidade incide em permitir-nos testemunhar o ponto de vista inocente das filhas de um casal desgastado e em processo de ruptura.

 

 

Johnny mad dog - um livro redigido pelo congolês Emmanuel Dongala, onde é abordada miséria e a violência existente nos conflitos e o recrutamento forçado de crianças soldado.


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