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Elementos Secretos

Renato Ferreira 22.02.2017

Às quartas, às quatro...um filme.

Hoje o texto é de Ana Marinho da Silva.

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Elementos Secretos

Não sou crítica de cinema, nem para lá caminho, mas tenho um gosto único por esta arte. E o Hidden Figures é, sem sombra de dúvida, o meu filme preferido dos nomeados deste ano.

No entanto, é-me predileto pela história (devo admitir). Vim do mundo das ciências e assistir a uma combinação tão harmoniosa entre ciências e artes deixa-me totalmente aos pulos de alegria. Agradeço desde já ao Theodore Melfi pela realização deste filme, que apesar de não ser uma ode do cinema, avalio como um bom filme. Simples e discreto, mas que retrata bem a história. E é isso que mais me agrada.

Hoje em dia os filmes vivem muito por aquilo que querem ser e não por aquilo que os inspirou a ser, por aquilo que os criou, pela ideia que lhes deu origem. No “background” deste filme está uma história real, factos verídicos de três maravilhosas mulheres: Katherine G. Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe). Elas revolucionaram os anos 60. Contra todas as probabilidades, numa época de desigualdade de género e racismo, elas provaram que eram capazes.

Filmes inspirados em histórias verídicas sempre foram os meus preferidos. Contêm sempre uma vertente emocional e inspiradora tão forte. Este filme é um desses! Que nos fazem questionar a humanidade, a natureza, o mundo.

“Hidden Figures” é obrigatório pelo contexto histórico, pela luta dos direitos, pela mensagem inserida.

Apesar da história retratar as experiências das três mulheres, foca-se principalmente na de Johnson. Compreendo o porquê, mas fiquei com pena de não haver mais sobre as restantes protagonistas, principalmente sobre Mary Jackson que entre todas, considero que foi a que mais lutou pelo seu sonho e isso é de facto inspirador.

Este filme retrata uma época diferente e todos pensamos que as consciências mudaram. Enganem-se meus senhores e minhas senhoras, a mudança não foi assim tão radical. Infelizmente ainda persiste a ideia de que certas profissões foram feitas só para homens (e outras só para mulheres).
Hidden Figures, destaca-se por mostrar o lado mais forte. Tenho consciência de que na vida real, as protagonistas tiveram momentos difíceis e duros. No entanto, o filme não se foca na ideia de “vítimas”, no sofrimento do preconceito. E é por isso que tanto gosto dele. Ele mostra como cada “não” lhes deu mais vontade de lutar pelo que queriam, de darem mais de si, de terem mais vontade de singrar na vida.

Para além disso, gosto bastante do papel de Kevin Costner (que representava Al Harrison) e da relação que estabelece com a personagem de Taraji P. Henson. Demonstra que não importam as diferenças, quando o que têm em comum é tão forte. 

Portanto, para quem gosta de filmes pela parte cinematográfica, não ficarão apaixonados, mas também não ficarão desiludidos. Na minha opinião é um bom nesse aspeto. Pela história e pela forma simples, com um humor leve e momentos mais tensos, como a retratam, é um must.

 

Só tenho de agradecer ao Hidden Figures por mostrarem ao mundo uma história tão poderosa e inspiradora como esta e de uma maneira tão simples e humilde.

                                                         


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