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O discurso analítico

Ricardo Jorge Pinto 19.06.2015

Se eu vos quiser ilustrar o que pareço enquanto escrevo este texto, encontro na fotografia a melhor ferramenta. Se eu vos quiser mostrar como me movimento para escrever este texto, poderei usar o vídeo. Se eu quiser revelar-vos o que ouço enquanto escrevo este texto, tenho no áudio o utensílio privilegiado. Se eu vos quiser dizer quantas palavras escrevo por minuto, na redação deste texto, tenho ao meu alcance as infografias, com os seus gráficos. Mas se eu vos quiser explicar sobre o que escrevo, porque o escrevo, o que me motiva, o que sinto enquanto escrevo… é na escrita que me refugio.

Quando os jornais sentiram a concorrência da Rádio, primeiro, e da televisão, a seguir, percebeu que a sua sobrevivência passaria por uma alteração estrutural da sua estratégia de posicionamento no sistema mediático. Por isso, a partir da década de 60, os jornais e as revistas começaram a inclinar-se para o uso mais frequente de modelos discursivos mais interpretativos. A Rádio seria sempre mais rápida que os jornais. A TV conseguia mostrar em imagens em movimento o que os jornais não conseguiriam mostrar tão eficazmente. Mas uma coisa os jornais seriam capazes de fazer melhor que a Rádio e a TV: explicar o que se passa à nossa volta, interpretar a realidade e fazê-la compreensível.

Nas últimas décadas, os meios de comunicação escritos têm revelado uma diminuição do uso de parágrafos descritivos e com citações, em detrimento de um mais frequente uso de parágrafos com módulos informativos interpretativos. A análise passou a ser um elemento fundamental no discurso da escrita jornalística e promocional.

 

Falta agora saber como responderá a escrita ao desafio do digital, em que as plataformas se aglomeram, encavalitam, em modelos de convergência e de sinergia nunca antes imaginado.


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