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A imaginação ameaçada

Ricardo Jorge Pinto 19.06.2015

Quem ouve um relato de futebol pela Rádio e assiste ao mesmo jogo pela TV percebe bem a diferença. No relato radiofónico, a imaginação tem de completar as lacunas de informação: como será o estádio? Que jogada foi aquela contada com tanto entusiasmo? Que expressão facial teria o guarda redes enquanto esperava o remate da grande penalidade? Na Televisão, a imaginação repousa: a imagem mostra tudo. E a TV de Alta Definição revela ainda mais: consegue ver-se o suor no rosto dos jogadores, perceber a angústia na face do guarda redes antes do penálti.

Marshall McLuhan considerava que a Rádio é um meio quente, porque permite que a imaginação preencha os espaços em branco na comunicação. Por contraposição com a TV, meio frio, que tudo expõe, na gélida imagem que adormece a nossa imaginação.

O teórico canadiano orgulhava-se de ter sido a última pessoa na sua rua a ter um televisor em sua casa. E mesmo assim, apenas permitiu que ele fosse colocado na cave do lar… McLuhan desconfiava da crueza da imagem.

 

A imagem tem tomado conta do sistema mediático. É essa mesma imagem que está a servir de ponte entre o modelo analógico da comunicação e as plataformas digitais. A questão é saber se este domínio da imagem é símbolo da anulação da imaginação. A dúvida é se vamos entrar na era da pornografia e abandonamos a era do erotismo.


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