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Informação ao segundo

Ricardo Jorge Pinto 19.06.2015

Primeiro eram os rapazes no autocarro, como lhes chamou Thimothy Crouse no delicioso livro “The boys on the bus”. Os jornalistas políticos assistiam às iniciativas das caravanas de campanha e, no fim do dia, escreviam as suas peças. Depois, tudo mudou: não apenas porque também chegaram as mulheres ao jornalismo, mas porque os ciclos mediáticos aceleraram. Hoje, a cobertura de campanhas eleitorais é feita ao minuto, com as redes sociais a dominar a atenção e o trabalho dos jornalistas.

As vantagens e os riscos são fáceis de detetar. Por um lado, desapareceu o tempo de reflexão. O jornalista tem de ser rápido, muito rápido, se quiser competir na selva em que se tornaram as redes sociais, repletas de produtores de conteúdos, muitos deles desobrigados a códigos deontológicos e regras de verificação das informações. Por outro lado, as audiências sentem-se agora muito mais avisadas e informadas, com ritmos de alimentação dos “feeds” quase ininterruptos.

 

O segredo é conseguir o equilíbrio entre estes tabuleiros. O Twitter e o Facebook, com os seus ritmos alucinantes, não podem ser alibis para a falta de rigor na informação. Contudo, o jornalismo não pode fechar os olhos a estas plataformas digitais para onde se deslocam as audiências e não podem querer preservar os seus ciclos de produção noticiosa.


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