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O Poder da Imagem

Ricardo Jorge Pinto 19.06.2015

A fotografia era objetiva, dizia-se. O filme é uma sequência de fotogramas, igualmente objetivos, que reproduz o movimento dessa imagem. E a realidade que vemos não é estática. Mesmo que seja uma paisagem, alguma coisa se mexe. Ou se mexeu. No caso do vídeo, a acoplagem do som à imagem atribui uma sensação de “realidade” acrescida.
Por isso, não admira que se considere que o vídeo transporta consigo uma ideia de credibilidade. “Foi assim, porque vi na televisão”, é uma frase que pode ser ouvida. Por vezes, por contraposição ao que se lê nos jornais, onde fica a dúvida sobre a veracidade das asserções escritas.
O vídeo é uma plataforma multimédia, num sentido alargado do conceito. No seu interior, podem conviver a imagem, o texto, o som. E é a agregação de todos esses ingredientes que dá a sensação de uma “reprodução realista da realidade” – porque é assim que percebemos a realidade.
“And that’s the way it was” – esta era a fórmula com que o jornalista Walter Cronkite terminava os noticiários televisivos que apresentava, nos tempos iniciais da informação em TV. Era uma fórmula que remetia para o caráter realista da televisão, para a noção de que as pessoas poderiam acreditar porque estavam a ver e ouvir, como viam e ouviam no “mundo real”.
Curiosamente, a afirmação da televisão (realista) no mundo da informação coincide com a emergência da segunda vaga do Novo Jornalismo, que transportava para o campo da não-ficção elementos estratégicos do território da ficção (pela mão de escritores que apareceram nas Redações, primeiro nos Estados Unidos, como Tom Wolfe, ou Norman Mailer).
No campo da comunicação integrada, a televisão afirma-se esmagadoramente junto das audiências no momento em que se desenhavam os contornos da técnica do Posicionamento, que remete para uma nova atitude nas campanhas promocionais, alterando a atitude dos recetores das mensagens mediáticas: não são os consumidores que gravitam à volta dos produtos, são os produtos que gravitam à volta dos consumidores, procurando entender a forma como eles percebem o mundo. Como eles veem o mundo.


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