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Marketing Político...

Renato Ferreira 03.01.2018

Estou a frequentar o curso de formação de formadores. O objectivo é obter o CCP. Um dos exercícios que tenho que fazer é criar uma hipotética formação. No ano passado, quando tive que pensar num título para essa formação, acabei por criar um novo campo de estudo. Campo de estudo esse que foi criado precisamente nesses segundos em que preenchi o título do que eu propunha. A minha ideia era (e é) propor uma formação em marketing político. Mas “Marketing Político”, assim, sem mais nada, não me parecia (e não me parece) um título chamativo, diferenciador, arrojado, apelativo.

Por isso resolvi chamar à minha formação “Marketing Político Positivo”.

Desde já assumo que não farei esforços para fazer crescer esta, digamos, possibilidade de nova área de estudo. Nem sei se ela é mesmo nova. Nem sei se é uma área de estudo, para ser sincero. Contudo, aqui vai uma pequena explicação para a criação deste título…

 A ideia é a de dar ao marketing político uma nova versão. Tal como a psicologia tem, dentro de si, a área da psicologia positiva, venho agora propor que se fale de marketing político positivo.

Quanto à psicologia positiva, provavelmente já sabem: em vez de nos concentrarmos nos casos ditos patológicos, em que se tenta solucionar os casos desviantes e curar determinada pessoa, esta vertente concentra-se em sublinhar o que é a saúde e a busca da felicidade, naquilo que elas têm de verdadeiramente mensurável (sim, porque poderá entrar muita subjectividade no definir o que é saúde psicológica e como cada um deve buscar a felicidade), buscando que as pessoas optimizem o seu bem-estar, prevenindo quedas em abismos. Grosso modo, é isto, pelas minhas palavras.

Quanto ao marketing político positivo, é a tentativa de ajudar a solucionar o problema da cultura anti-classe política que se vê um pouco por toda a parte. Partindo sempre de uma atitude de boa-fé perante ela, a política, e os seus agentes, busca-se fazer com que os meios com que se tenta “vender” determinado candidato e suas ideias ao conjunto de cidadãos de uma democracia sejam, lá está, positivos, construtivos, edificantes. A ética entrará fortemente em jogo, inevitavelmente.

A vida em sociedade tem que ter regras. A democracia é uma forma de organizar o poder de estabelecer essas regras. A democracia representativa, a vigente no nosso país, por exemplo, tem as suas dificuldades. Uma delas é aferirmos com rigor que pessoas têm as qualidades necessárias para representar seja quem for. Partindo, no entanto, da premissa de que é com que este tipo de democracia que iremos funcionar nos próximos tempos, convém fazermos uma optimização daquilo que efectivamente temos. O marketing político positivo, sem esquecer todos os instrumentos que o marketing político convencional tem, parte acima de tudo de uma atitude de olhar a política como necessária, útil e desejavelmente benigna. Ora se ela é necessária, útil e desejavelmente benigna temos que fazer o possível para que ela seja exercida sem olhares negativos à priori. Tal como a psicologia positiva reforça o que é bom de buscar, este tipo de marketing não se limitará a “jogar” da forma habitual – tentar comunicar aos cidadãos o “produto” (candidato) no “mercado” (cidadãos/eleitores) tendo como ponto de partida uma perceção política negativa – mas, pelo contrário, usará como ponto de partida a responsabilização de cada um em assumir que quer um novo rumo para a forma como a política é vista e executada. Reforçará os bons exemplos e concentrará as suas atenções e energia neles. Sendo que o “marketeer político positivo” terá que ser alguém que veja a política de forma…positiva…lá está…

Esta é uma proposta decente, no meu entender. Experimentalista sim, mas decente, acho eu.

Ano novo, campo de estudo novo.

 


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