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O concerto nº 7

Renato Ferreira 25.03.2018

Quinta-feira, dia 22 de março de 2018. Às 17:00 horas começa a aula do curso ‘Como escrever canções’ na Universidade de Coimbra. A professora é Adriana Calcanhotto. Eu sou um dos alunos.

Quinta-feira, dia 22 de março de 2018. Às 21:00 horas começa o concerto de Bob Dylan na Altice Arena, em Lisboa. Tenho dois bilhetes.

São 18:00 horas e eu estou na sala de aula, em Coimbra. Levanto-me e peço à nossa professora que me dê licença para sair mais cedo. De Coimbra a Lisboa são duas horas de distância para quem quer fazer a viagem em segurança, dentro dos limites de velocidade.

Adriana Calcanhotto dá-me licença para sair mais cedo. Com apenas uma condição: tenho que posteriormente escrever um relatório sobre o concerto que vou ver.

Este texto é isso mesmo: o meu relatório.

Entrei na Altice Arena e já Bob Dylan cantava “It ain´t me, babe”. Identifiquei a música pela letra, claro. Não pela forma como ela estava a ser tocada, claro. Mas eu já ia preparado. Apesar de ter sido o meu primeiro concerto de Bob Dylan, já tinha lido na net e visto no youtube a forma como ele diferencia em palco as suas músicas em relação ao que estamos habituados a ouvir nos cd´s de estúdio. Tenho alguns cd´s dele ao vivo e esses ainda mais preparação me deram para o que iria encontrar: uma recriação, de certa forma, das canções.

Sentei-me no meu lugar. Até às 23:00 horas não me levantei. O Bob Dylan quase que também não. Que me lembre, ele só se levantou para cantar uma das músicas. O simples facto de ele se levantar, nessa música, levou a mais aplausos do que propriamente os que se ouviram no final dos temas.

Destaco as canções que mais gostei de ouvir: a que apanhei já a meio e que já referi, “Desolation Row”, “Don´t Think Twice, it´s Alright”, “Make you feel my Love”, “Tangled up in Blue” e o encore completo – as músicas “Blowing in the Wind” e “Ballad of a Thin Man”. Não se dirigiu ao público uma única vez, falando. Eu não me importei. Principalmente porque ele dirigiu-se ao público cantando… Acho eu…

Saí do concerto a cantarolar na mente “And something is happening here, but you don´t know what it is, do you, Mr. Jones?” que faz parte da última música que ele cantou (“Ballad of a Thin Man”) e que podemos imaginar como mensagem principal da noite de Bob Dylan para quem o viu: alguma coisa se passou na Altice Arena, mas a maioria das pessoas não soube o que foi…

De minha parte, e como estreante em concertos dele, agradeço a Bob Dylan o ter passado por cá, em Portugal, e, quanto a mim, continuarei a dar-lhe toda a liberdade para ele interpretar o que é dele da maneira que ele quiser. Se eu gostava de ter ouvido os temas de uma maneira mais parecida com as gravações dos cd´s que tenho? Assumo que sim. Se eu gostava que ele tivesse dito: “Hi, Lisbon, hi, Portugal and especially, hi, Renato, how are you?”? Sim, gostava. Mas é a vida…

Gostaria de dizer à Adriana Calcanhotto, para terminar este relatório, que quando eu fizer um curso com o Bob Dylan e a Adriana estiver em concerto por perto, também pedirei ao Bob para sair mais cedo para ir ao seu concerto… 

 


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