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O valor do dinheiro

Ana Marinho da Silva 18.07.2018

 

Recentemente, deparei-me com o tema do valor do dinheiro. Um professor decidiu atribuir este título a uma aula em que se falou de taxa de juros, capitais, inflações e deflações. Após alguns cálculos, definições e iconografia, a grande conclusão que se obteve é que o valor do dinheiro depende do tempo e do poder aquisitivo. A verdade é que 100€ hoje não são o mesmo que 100€ daqui a um ano e todos podemos concordar com esta afirmação. Se eu tiver 100€ hoje e os investir, o mais provável é ter mais dinheiro daqui a um ano, dependendo da taxa de juro. Pelo contrário, se só tiver 100€ daqui a um ano, significa que hoje tenho menos dinheiro.

 

Outra situação relaciona-se com a inflação. Se eu tiver 100€ hoje consigo comprar um grande cabaz de produtos, mas imagine que daqui a um ano tem 120€ e que, simultaneamente, o preço dos produtos aumentou e que com esse dinheiro consigo comprar o mesmo cabaz de produtos que compro atualmente. Isto significa que apesar de ganhar mais, não estou mais rica.

 

Toda esta discussão fez-me repensar no dinheiro antes do mesmo se ter tornado no que conhecemos atualmente. Fez-me recuar no tempo até aos primórdios da história e pensar no valor que tinha antigamente. Se recuarmos até 1500, os astecas utilizavam como dinheiro os bagos de cacau ou rolos de tecido, apesar de saberem da existência do ouro e de o utilizarem para joias e estátuas.  Os búzios foram utilizados como dinheiro em toda a África durante vários anos, sendo que até ao início do século XX ainda era possível, no Uganda britânico, pagar os impostos com búzios. Nas prisões e nos campos de prisioneiros de guerra o mais comum eram os cigarros. Um sobrevivente de Auschwitz contou ao mundo que um pão custava 12 cigarros.

 

Na minha opinião, isto comprova que o dinheiro não são as moedas e as notas a que nos habituamos, mas sim algo utilizado para representar o valor de outras coisas, permitindo efetuar trocas de bens e serviços. As notas e as moedas são apenas uma forma de dinheiro no meio de tantas que já existiram.

 

O que aconteceu com as sociedades é que criaram uma dependência. Todos querem dinheiro, porque todos os outros o querem. Assim, podemos defini-lo como um meio de troca universal que permite que as pessoas convertam quase tudo em quase qualquer coisa. O mais curioso é que em todas as formas de dinheiro se verifica a conclusão do meu professor: o seu valor depende do tempo e do poder aquisitivo.

 

Sejam búzios ou euros, o dinheiro não é uma “realidade matéria”, mas sim um constructo psicológico, pois funciona convertendo matéria em conceitos mentais. Mas o aspeto que mais que interessa é que o dinheiro é um sistema de confiança mútua e esta confiança foi gerada graças a uma rede complexa e duradoura de relações políticas, sociais e económicas. Inicialmente, quando foram criadas as primeiras versões do dinheiro, as pessoas não tinham este tipo de confiança, pelo que era necessário defini-lo como coisas que tivessem valor intrínseco. O primeiro dinheiro da história foi a cevada suméria, pois para além de permitir pagar bens ou serviços, era comestível. O verdadeiro avanço na história monetária ocorreu quando as pessoas passaram a depositar a sua confiança em dinheiro que não tinha qualquer valor inerente, mas que era fácil de armazenar e transportar. Isso aconteceu na antiga Mesopotâmia, com o surgimento do shekel de prata, que acabou por evoluir tornando-se naquilo que conhecemos hoje: notas e moedas.

 

O dinheiro tornou-se num elemento extremamente importante tanto cultural como socialmente. No futuro, surgirá mais uma nova forma que, na verdade, já começa a conquistar terreno nos dias de hoje e que já todos ouvimos falar: as bitcoins. Mas isso é tema para mais tarde, por agora fica a noção que o dinheiro tem várias formas, depende do tempo, do poder aquisitivo, da confiança e da dependência humana.

 

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