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Bullying Político

Renato Ferreira 03.08.2018

Tanta energia gasta a ensinar às crianças que não se deve maltratar os colegas de escola. Bullying é feio, e coisas do género. Mas uma boa parte da energia dessas mesmas pessoas é gasta a fazer bullying à classe política. Ah, e tal, que são uma cambada disto e daquilo. Defendem-se, se alguém como eu lhes entrega, por exemplo, este texto para ler, dizendo que realmente eles são uma cambada disto e daquilo…

Como sozinho posso pouco, trago para me ajudar neste momento Miguel Sousa Tavares e o que ele disse a Vítor Gonçalves, na RTP, na Grande Entrevista, há umas poucas semanas. O argumento, certeiro na minha opinião, do entrevistado, é o de que, ok, eu não sou político nem quero ser, mas agradeço quem queira ser porque a sociedade precisa de políticos. Simples e exato.

Das duas, uma: ou propõem vida em sociedade sem classe política, sem representantes, de forma a que isso aconteça de forma pacífica e ordeira de forma a permitir vida em sociedade saudável – e aí eu alinho nessa solução -, ou então têm de facto que agradecer que haja pessoas que ainda queiram dar o corpo às balas (e são muitas as balas; no mínimo é bullying) e que ingressam na vida política.

Não estou, obviamente, a passar um cheque em branco a quem vai para a vida política. Era o que faltava. Há que haver o escrutínio rigoroso, por parte do jornalismo e dos cidadãos, daquilo que “eles” lá fazem. Isso é correto. O que não é correto, na minha opinião, é adoptar uma postura supostamente de superioridade moral (mais ou menos como a que se calhar eu estou a demonstrar neste texto…) perante quem está no ringue, perante quem tem a coragem de agir, fazendo o que tem que ser feito. O que tem que ser feito não é linear, nem há só uma maneira de a fazer – mais uma razão para refrearmos o julgamento (principalmente o apriorístico).

 

Está mal feito? Se está, deixe de criticar e vá para lá fazer melhor! Não fique de fora a criticar negativamente tudo o que se tenta fazer. Eu, de minha parte, vou agradecer-lhe. Ou então também irei para “lá” tentar fazer o bem sem olhar a quem. Ou melhor, olhando a quem, porque há uns que precisam mais do que outros.


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