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Contracapa, página 3

Ana Marinho da Silva 29.10.2018

“Sou um instantâneo das coisas
apanhadas em delito de perdão
a raiz quadrada da flor
que espalmais em apertos de mão
Sou uma impudência a mesa posta
de um verso onde o posso escrever
Ó subalimentados do sonho!
a poesia é para comer”

A poesia é para comer… Quem não conhece este verso de Natália Correia?

Conheci-a através de uma pessoa de quem gosto muito. Que é amigo e família, família e amigo. Deu-me o livro “A mosca iluminada” com a dica: para alimentar a tua alma.

E alimentei-me de poesia durante 85 páginas.

A poetisa açoriana possui uma voz libertária e arrojada. É uma mulher de coragem, sem medos, que “num dia demasiadamente raivoso para caber no zodíaco” nasceu “a metade de um endecassilabo quebrado em dois” e com o nascimento do poeta, nasceu o romantismo nataliano.

Num conjunto de poemas, Natália aborda diversos temas da sua vida, com especial destaque para a infância, o passado, a nostalgia, as origens. A Mosca Iluminada é uma viagem intimista pela vida da escritora que em cada verso se revela enigmática e contestatária. Todos os seus poemas conjugam amor, imaginação e memória. A receita certa para alimentar a alma.

Não possui contracapa, nem necessita de tal. Poema a poema o leitor é aconchegado no seu peito e desperto na sua razão, porque todos os leitores são miseráveis.
Isto porque Natália só conhece uma espécie de miseráveis: “os felizes. Porque a felicidade é o tributo que pagam à miséria da existência”.

Alimentem-se de poemas natalianos. Irão “beber estrelas e peixes pelo seu estreito gargalo” tal como ela “em amorosa posição de cana erecta, a pescar no indizível o sinónimo de poeta”.

Nunca a minha alma esteve tão aconchegada.
Obrigada, Natália.


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