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Contracapa, página 4

Ana Marinho da Silva 12.11.2018

Condenado à morte!

“Há cinco semanas que vivo com este pensamento (…) Em outros tempos – porque me parece que os anos e semanas se têm passado – eu era um homem como qualquer outro. Cada dia, cada minuto, tinha a sua ideia. O meu espírito jovem e rico estava cheio de fantasia. (…) Na minha imaginação vivia uma eterna festa. Eu podia pensar no que queria, era livre. Hoje, estou preso. O meu corpo está preso numa masmorra, o meu espírito está preso por uma ideia.”

É assim que Victor Hugo dá início a um breve conto onde demonstra a sua opinião sobre a pena de morte e ao mesmo tempo dá pistas da sua personalidade. Foi um homem que viveu intensamente, daí o seu espírito estar “cheio de fantasia” e a sua imaginação viver “uma eterna festa” e foi graças a esta intensidade que escreveu grandes histórias, como esta.

O escritor revela a sua posição sobre o tema apresentando-nos um protagonista, sem nome, do sexo masculino e homem de família que foi condenado à morte. Os leitores são espectadores na primeira fila que acompanham tudo o que se passa na mente do homem após o momento em que sabe que vai morrer e quando se apercebem, encontram-se a ler o diário do mesmo.

Tendo conhecimento de que vai ter uma morte terrível e que terá uma multidão a assistir, ele vai escrevendo os seus pensamentos e sentimentos ao longo dos dias que antecedem a sua execução, e o leitor é levado neste percurso até ao momento em que ele é levado à morte.

“Quem sabe se eu lhe escaparei? Se não estarei salvo? Se o meu perdão?...”

A cena do encontro entre o condenado e a sua filha é o momento mais forte da história, sendo também o momento chave que elimina as esperanças do leitor de uma possível salvação. É o encontro que anuncia o fim.

Victor Hugo demonstra que é contra todo o processo da condenação, argumenta que a pena é cruel, que a guilhotina não é totalmente indolor e rápida, que a morte não é sinónimo de justiça.

Um livro pequeno que se lê em menos de um dia e que nos deixa a questionar sobre o valor da vida, da justiça, da morte. Não possui contracapa, pois a edição que tenho é do conjunto “biblioteca de verão” do JN e do DN, mas creio que com a rubrica de hoje a contracapa está feita.


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