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Contracapa, página 5

Ana Marinho da Silva 26.11.2018

Durante a minha licenciatura em ciências da comunicação, foram várias as vezes que me falaram de Umberto Eco, tanto por parte de colegas, como de professores. Estando numa área tão ligada ao jornalismo seria um erro não ler um livro tão relevante na área. O que sinto pena é que, apesar de Eco ter apresentado uma reflexão maravilhosa sobre os jornais e o jornalismo, criticando os “hábitos” atuais, nada mudou desde o lançamento do seu livro.

Esta área continua a degradar-se e a perder a sua essência, tornando-se cada vez mais na redação do jornal diário da história (o Amanhã). Onde a prioridade não é preparar boa informação, mas sim servir interesses próprios. Onde os jornalistas são cada vez mais mal pagos e com histórias de carreira onde o sucesso não faz parte, mas sim as cunhas e a satisfação de interesses de quem tem poder e/ou dinheiro.

Este não foi o jornalismo que me fez seguir ciências da comunicação e revolta-me ver que jornalistas que lutam pela verdade e informação de qualidade são abafados por notícias falsas e sensacionalistas que dão lucro à empresa.

Umberto Eco demonstra que a qualidade do produto jornalístico tem perdido proximidade à dedicação, às preocupações, à exigência, ao trabalho. No Amanhã, há espaço para criar, reciclar e encobrir notícias. Onde poder e jornalismo se aliam a teorias da conspiração.

“A vida é suportável, basta conformarmo-nos”, mas os jornalistas jamais se podem conformar com fraco profissionalismo, fontes falsas ou textos sensacionalistas. O jornalismo deve viver da verdade e é isso que mantém vivo em mim o gosto por esta área: a esperança de que há quem ainda lute por uma sociedade informada. Obrigada por ter lutado, Umberto.

Na contracapa, o resumo “A redação de um diário reunida à pressa prepara um jornal dirigido, mais do que à informação, à chantagem, à intriga, ao lodo e às reportagens ignóbeis, que a chefia exige para aumentar as vendas. Um redactor paranóico que, circulando por uma Milão alucinada (ou alucinado por uma Milão normal), reconstrói uma história com cinquenta anos, tendo como pano de fundo um plano diabólico arquitectado em torno do cadáver putrefacto de um pseudo-Mussolini. E, na sombra, o Gladio, a P2, o assassino do Papa Luciani, a CIA, os terroristas vermelhos manobrados pelos serviços secretos, vinte anos de massacres e de pistas falsas, um conjunto de factos inexplicáveis que parecem inventados, até que uma transmissão da BBC vem provar que são verdadeiros ou, pelo menos, são agora confessados como tal pelos seus autores. Depois, um cadáver entra subitamente em cena na mais estreita e mal-afamada rua de Milão. E ainda uma frágil história de amor entre dois protagonistas perdedores por natureza: um ghost writer falhado e uma rapariga inquietante que, para ajudar a família, abandona a universidade e se especializa em gossip sobre amizades afectuosas, mas é ainda capaz de chorar no segundo andamento da 7ª de Beethoven. Uma história que se desenrola em 1992, em que se prefiguram muitos dos mistérios e loucuras dos vinte anos seguintes, precisamente quando os dois protagonistas pensam que o pesadelo terminara. Um caso amargo e grotesco que se desenrola na Europa desde o fim da Segunda Guerra até aos nossos dias. Este é o manual perfeito para o mau jornalismo que, gradualmente, nos impossibilita de distinguir uma invenção de um directo. Um livro que se lê avidamente, de um grande autor que surpreende sempre!”.


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