viver

NADA FAZER

José Miguel Pires 29.11.2018

Um pensamento constante me passa pela mente: Faz coisas. Faz coisas. Não tens nada para fazer? Faz mais coisas. Inventa coisas para fazer e faz coisas inventadas.

Há semanas que ando a pensar no que hei de fazer para me estrear neste espaço, e não encontro nada melhor que esta situação.

À medida que o tempo passa sinto em mim uma maior vontade de fazer coisas, seja escrever, seja criar conteúdo multimedia, seja ver filmes. Isto poderia ser tudo muito bonito, se no meio existisse um fio condutor que falha a maior parte do tempo: O tema.

Várias são as vezes em que me sento perante o computador, prontíssimo a criar qualquer coisa, música para criar ambiente e um café. Chego a limpar a tarde de compromissos e eventos para escrever (talvez seja mesmo por tentar escrever à tarde e não à noite que as ideias não fluem, sempre ouvi dizer que à noite a criatividade floresce). Tudo a postos, mãos no teclado e o backoffice aberto. Mas nada. Zero.

Já me disseram que é falta de consumo de conteúdo de outras pessoas. Já me disseram que é falta de criatividade. No entanto, eu culpo todo o contrário: O excesso de conteúdo a que tenho acesso diariamente.

É um efeito secundário das novas tecnologias e dos novos paradigmas da comunicação: Somos constantemente bombardeados com informação e com coisas novas. Talvez daí se deva o meu constante desejo de escrever e de fazer parte das pessoas que constroem a informação e não que simplesmente a consome. Por outro lado, é incrivelmente estimulante e distrator. Podemos dedicar horas e horas a consumir conteúdo sobre as mais variadas áreas: desde o significado da vida e a teoria de cordas até à mais recente namorada do Pinto da Costa.

Talvez seja por aí que parece que um muro bloqueia aquela pequena parte do cérebro encarregue pela criatividade. Talvez eu seja simplesmente um ser preguiçoso que acaba por preferir ser um mero consumidor de conteúdo, já que é mais fácil e menos time-consuming.

Tudo o que sei é que, cliché ou não, o facto de não conseguir escrever serviu-me em toda a sua plenitude para conseguir escrever. Irónico.


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