viver

O álibi do Sol

Sara Moreira 06.12.2018

 

No enlace entre a saudade e a alegria de voltar a casa senti vontade de deixar tecido um pensamento.

A semana não foi a melhor mas hoje quando cheguei ao autocarro para fazer a minha viagem o meu lugar preferido estava livre. Sentei-me e senti o sol que enternecia em mim como um abraço, caloroso e amigável. E sabem aquele clique? Aquele suspiro que é companheiro do sorriso?

Acho que já não escrevia há algum tempo e hoje achei que era um bom dia para ter um dia bom. Às vezes as coisas acontecem e marcam-nos, deixam-nos tristes, chateados, atrapalham os nossos dias, o nosso estado e a relação com os outros. O mundo exterior pode ser muito influente quando tem ligações connosco…

Mas hoje eu só quero dizer que não faz mal! Os dias não sorriem todos, é normal às vezes as coisas correrem mal, e quando uma corre mal é mais fácil tropeçar na seguinte e ir aos tombos “de pedra em pedra”. Mas se caímos por defeito levantamo-nos por virtude!

Vim só para dizer que está tudo bem, que os tombos e as feridas que eles fazem nos ajudam a estabilizar nos desequilíbrios seguintes e com as aprendizagens seremos melhores. Não faz mal cair, não faz mal falhar (há mesmo quem o prometa), não faz mal desiludir-nos a nós mesmo, é o que somos... Imperfeitos! Não somos um papel, somos pele! Não temos que guardar em nós as marcas que não são cicatrizes, que não são um traço decalcado que a borracha não apaga. Nem tudo que nos acontece nos pertence!

A alma sente o que mais nos marca e infelizmente o que mais se faz sentir é a dor e não o conforto. É por isso que damos mais relevância ao que acontece de menos bom. Mas se pensarmos com cabeça de quem existe e vive damo-nos conta que apesar das imperfeições e das falhas há quem acredite que nós somos perfeitos, incríveis e fascinantes. Há o sorriso de um filho, há uma chamada da mãe, há um jogo de futebol para fazer com os amigos, há uma música preferida, há o som das ondas e uma noite estrelada! Outras vezes há apenas um lugar livre, que por acaso é o vosso e há um sol quentinho num dia de Dezembro. Há pequenas coisas e coisas que não são pequenas!

Quando estiveres triste vai á rua e sente o sol... ou a chuva, ou o vento, ou qualquer coisa que te faça sentir que vale a pena e não algo que te faça sentir pena do que não vale, que não é válido, do que não é teu.


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