viver

Paraíso alternativo

Duarte Pernes 09.12.2018

Ouvir falar em Caraíbas, por si só, faz remeter o pensamento do comum dos mortais para cenários naturais idílicos, com praias de areia branca e fina e água quente e cristalina. Em bom rigor, este imaginário aprazível pode ser aplicado a qualquer um dos países que compõem esta região do continente americano. Punta Cana, na República Dominicana; Varadero, em Cuba; ou Cancún e Riviera Maya, no México, são alguns dos lugares mais conhecidos e requisitados pelos turistas ocidentais. Todos eles valem claramente a visita, seja pela oferta natural ou cultural que – cada um com as suas nuances únicas – comportam. 


Mas a riqueza caribenha não fica confinada apenas aos sítios mais populares. Uma das inúmeras provas disso dá pelo nome de Samaná, onde a procura turística é (pelo menos ainda) algo residual. Com apenas 90 mil habitantes, Samaná é uma província localizada na República Dominicana que tive a sorte de conhecer há dois anos. A viagem em si foi morosa: cerca de 14 horas de voo que incluíram uma escala no México, em que não houve hipótese sequer de sair do avião. Tal penitência foi, porém, devidamente recompensada depois, com a chegada ao verdadeiro paraíso que é este local.


Estávamos em pleno agosto e, ainda assim, a calma e a tranquilidade eram as notas dominantes no meio de tanto exotismo. Na praia do hotel (o Grand Bahia Principe EL Portillo, passo a publicidade), os banhistas são acompanhados por pequenos peixes de mil e uma cores que rodeiam os corais ali existentes. Mas as atrações de Samaná vão muito para lá das fronteiras do resort e, portanto, é obrigatória a passagem pela Playa Rincón, onde as montanhas e as palmeiras se conjugam com o mar, numa comunhão tão perfeita como a das suas águas salgadas e doces – provenientes de um pequeno rio que por ali passa –, capazes de lavar e revigorar toda e qualquer alma.


E quando julgava que, depois de Rincón, dificilmente seria arrebatado por mais alguma obra-prima da natureza, eis que, dias depois, me é dada a conhecer a Playa Morón. Outro espetáculo natural em estado puro e escondido da maioria dos olhares, graças às suas eufemisticamente delicadas acessibilidades. De tal forma que as operadoras turísticas usuais não organizam expedições até lá. Por isso mesmo, foi preciso recorrer à preciosa ajuda do Pablo, um dominicano dos sete costados que conhece como poucos aquelas paragens. Mais uma vez, realce para uma água translúcida e uma areia aconchegante, ambas antecedidas por um belo relvado e por uma floresta no meio da qual se erguem majestosos coqueiros. Tudo só para mim e para os que me acompanharam. Como se não bastasse, a seguir o Pablo ainda nos levou a comer uns lagostins de chorar por mais, num espaço próximo de sua casa. Obrigado, Pablo!


Depois de Morón, podia acabar este artigo e se calhar até devia – tal como Maradona podia e devia ter estado dispensado de jogar o resto do Mundial de 86, após aquele segundo golo à Inglaterra, no Estádio Azteca. Porém, é da mais elementar justiça que faça ainda uma menção a El Salto del Limón. Trata-se, pois, de uma imponente cascata com 50 metros de altura, que banha uma piscina natural irresistível para os que se aventuram a lá chegar a pé ou com o precioso auxílio de um jumento que, no meu caso, foi batizado pelo dono com o nome de Vitorino. Obrigado pela boleia, Vitorino!


Agora sim, está escrito o que, muito resumidamente, tinha de escrever sobre Samaná. E garanto que as 14 horas dentro de um avião são um mero detalhe, até para quem não consegue dormir em aviões.  

 

 

 

 

 


Relacionados

Te quiero, Madrid!

Madrid é talvez a metrópole mais encantadora do mundo onde não há mar e nem...

Continuar a ler Duarte Pernes   20.01.2019

Bucket List

Uma lista de ambições e sonhos.

Continuar a ler Ana Marinho da Silva   18.01.2016

Comentários

Não existem comentários ainda. Porque não ser o primeiro?

Novo comentário