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Contracapa, página 13

Ana Marinho da Silva 18.03.2019

Hoje trago-vos um livro já adaptado ao cinema. Sempre tive a curiosidade de ler o livro, mas nunca tinha surgido a altura certa. Só muito recentemente é que isso aconteceu e sei que foi no momento certo. Tenho-me debatido com muitas lutas interiores sobre o que quero para mim no futuro. Sempre fui uma pessoa que não se sacia facilmente. Quero sempre mais. Exijo sempre mais. Faço sempre mais. Exagero. Muito. Exagero nos sempre, exagero no que faço e senti que estava na altura de ler o “Comer, Orar, Amar” de Elizabeth Gilbert.

Comprei-o na livraria Dejá Lú em Cascais, que vende livros em segunda mão para ajudar uma causa solidária. Acho que todo o contexto de compra deu um sentido diferente ao livro que pertenceu à Rita Saldanha e que o assinou em outubro de 2006. Questiono-me se também a Rita procurava respostas, mas principalmente se as encontrou. Acredito que sim, talvez por isso tenha dado o livro à Dejá Lú, para que outras pessoas pudessem encontrar as suas respostas. Obrigada Rita por, de alguma forma, teres deixado este teu pedaço comigo e que agora também é meu.

Nunca estive em nenhum dos 3 países referidos no livro e isso contribuiu para que o desejasse tanto. O outro fator prende-se com a descoberta. A cada dia que passa descubro mais sobre mim e a pessoa que sou. Através de cada erro, de cada mágoa e de cada vitória e alegria vou definindo um padrão de personalidade que, como é óbvio, não agrada a toda a gente (nem pode agradar). Nesta era em que vivemos acredito piamente que existe uma necessidade urgente das pessoas se conhecerem enquanto indivíduos singulares. Perceberem-se como são e amarem-se a si mesmos. Tenho amadurecido muito ao longo dos últimos 3 anos e tenho acrescentado muita experiência a esta jornada que chamam vida. Aprendi a valorizar-me e amar-me tal como sou, esquecendo os comentários depreciativos, aprendendo com as falhas, crescendo enquanto pessoa.

Assim como a autora, procuro algo. Não o mesmo que Elizabeth. Não procuro amor ou equilíbrio, mas sim algo muito pessoal. E descobri onde obter. Em grande parte, graças a este livro. Talvez pareça cliché, mas é verdade, este livro ajudou-me a decidir que percurso seguir e tenho caminhado em direção aos frutos que resultarão do mesmo. Mas não nos desviemos… Elizabeth passou por um processo complicado da sua vida. Acabou por se separar do seu marido, com um divórcio longo e doloroso, depois manteve um relacionamento com outro homem que não resultou, começou a acumular despesas e a ir ao fundo. Tudo começou a estar errado na vida de Elizabeth, numa espiral da Teoria de Murphy, e é depois desta sucessão de episódios que decide aventurar-se numa viagem de descoberta. Primeiro, Itália numa longa experiência gastronómica que nos faz querer viajar imediatamente para lá. Depois, Índia com a meditação e o yoga. E, por fim, Indonésia onde a experiência de viver em Bali se torna tão real para o leitor que a nossa vontade é viver lá.

Não posso dizer que este foi dos melhores livros que li em termos de escrita, mas preencheu-me um vazio, deu-me uma resposta que procurava já fazia algum tempo. Acho que não existe nada mais importante do que sermos nós próprios e de nos conhecermos. O nosso eu é das pessoas mais interessantes que alguma vez iremos conhecer. O nosso eu é misterioso, complexo, insaciável e acredito que o “ultimate challenge” desta vida é conhecermos cada canto da nossa casa. Cada porta, cada janela, cada esconderijo, cada peça perdida e esquecida. Cada parte de nós que fazemos questão de colocar de parte. O nosso eu é a casa mais magnífica que alguma vez iremos conhecer, por isso façam o mesmo que Elizabeth e tratem dela. Existe sempre uma resposta para todos os enigmas, por isso não deixem que a vida vos escape por entre os dedos. Se procuram uma resposta sobre a vossa casa, leiam “Comer, Orar, Amar” e captem as mensagens nas entrelinhas. Sejam curiosos e leitores atentos. Existe sempre uma mensagem. Existe sempre uma resposta.

Na contracapa “Aos trinta anos, Elizabeth Gilbert tinha um marido, uma cada de campo, uma carreira de sucesso – tudo aquilo que uma mulher pode desejar. Ou talvez não… Consumida pela dúvida e pela inquietude, decide avançar para um divórcio difícil, sofrendo durante o processo uma depressão profunda e arrasadora crise existencial. É então que se decide pela aventura. Dividida entre o desejo de prazeres mundanos e a aspiração a uma transcendência divina, experimenta as delícias da dolce vita em Itáliia, com os seus sabores irresistíveis, e o rigor ascético na Índia. No seu último destino, a Indonésia, procura o equilíbrio e encontra o amor. O relato desses doze meses de viagem constitui um mosaico de emoções e experiências culturais, recheado de personagens envolventes, descrições vívidas e histórias apaixonantes. Trata-se sem dúvida de uma comovente e divertida viagem pelo desconhecido, à descoberta de si mesma.”


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