viver

Amores adormecidos

 04.01.2016

Hoje calcei os sapatos que me ajudaste a escolher. 
Guardei-os dentro do tempo e estive um tempo sem te ver.
Não há dia em que olhe para eles sem me lembrar de nós. O sorriso dos teus olhos dava cor à minha voz. 
Neles corri para os teus braços. Neles caí em pedaços. Neles ri. Neles chorei.
Sabem que para me encontrar tive de te perder. Desatar-nos os cordões e deixar-nos caminhar. 
E pelo caminho adormecer.
Mas há sempre um pé que fica e outro que vai. E um coração meio-entra quando outro meio sai. 
Os amores adormecidos são assim. Como sapatos arrumados no tempo que resistiram ao fim.
Um dia acabamos por tirá-los do baú. Um dia eu. Um dia tu.
Ontem sonhei contigo e limpei-os para te ver.
Hoje calcei os sapatos que me ajudaste a escolher. 

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