viver

Doces ilusões

Ricardo Jorge Pinto 04.01.2016

Um dia, quando vivi em Nova Iorque, andei horas a fio pelas ruas da cidade à procura do local desta foto: um banco de jardim junto ao rio Hudson, com vista para a Queensborough Bridge, ao lado de um poste de luz e de um vaso com uma pequena árvore. Nesse sítio, no filme Manhattan,  as personagens interpretadas por Woody Allen e por Diane Keaton repousam, depois de uma intensa noite de sedução.

 

Aquela cena cinematográfica fazia parte do meu imaginário romântico. E, achava eu, tinha sido filmada na paisagem real da cidade, pela lente do realizador que melhor captou a sua magia.

 

Contudo, já cansado de percorrer a pente fino a zona junto à rua 59, concluí que aquele preciso local não existe. Nunca existiu, de facto, disse-me uma simpática velhinha que sempre viveu no bairro. O cenário que serviu de poster para o filme foi produzido pela mente de Woody Allen.

 

Assim, nunca cheguei a recriar aquela cena, naquele lugar, como eu tinha imaginado que um dia faria (nos meus devaneios de adolescente). Nunca me sentei naquele banco de jardim, com o braço por cima do ombro de uma mulher bonita a ver o dia nascer.

 

Talvez, como dizem os filósofos idealistas, toda a realidade não passe de uma invenção da nossa mente, que constantemente nos engana. Talvez tudo não passe de uma ilusão. Nesse caso, como explica Woody Allen, definitivamente paguei caro demais pela minha carpete.

 


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