viver

Vem, amigo, vem

Renato Ferreira 30.05.2019

O Pankaj Mishra, que foi um dos jurados que deu o Man Booker Prize internacional à escritora omanita Jokha Alharthi, fez uma crítica ao Jordan B. Peterson no ano passado. Consta que a crítica foi tão negativa que levou Jordan Peterson – autor de 12 regras para a vida de todos nós – o ter mandado dar uma volta no twitter. Ou mais precisamente: utilizando o twitter, o Jordan mandou o Pankaj dar uma volta. Estou a utilizar um eufemismo, uma vez que Jordan não o mandou passear. Ou melhor, mandou. Mas utilizou outra expressão. Uma expressão (mais concretamente, um conjunto de duas palavras) em inglês - muito conhecida de todos nós.

Em Portugal a abstenção ganhou as eleições europeias com um novo recorde. Atenção: votaram mais pessoas do que nas anteriores europeias, contudo. Apesar disso, eram mais os potenciais eleitores (os inscritos, portanto), portanto é possível isto acontecer. O meu comentário é: viva a liberdade; é bom quando podemos dar-nos ao luxo de pensar “eles que se entendam”. Espero sinceramente que continuemos a poder dar-nos a este luxo. Espero sinceramente que esta taxa alta de abstenção não seja sintoma de não podermos no futuro dar-nos a esse luxo de pensar “eles que se entendam”.

Por acaso li até meio do livro as 12 regras do Jordan. E gostei. Acho-o inteligente. Mas esta característica não se coaduna com mandar passear o primeiro que lhe chama nomes. Daí que retiro provisoriamente o título de inteligente ao senhor. Apenas duas linhas depois. Quanto ao Pankaj, não só por ter sido considerado uma das 50 cabeças mais valiosas do mundo por uma publicação de que não me lembro agora, mas também por isso, fez por merecer que eu pegasse novamente no “Tempo de Raiva – Uma história do presente”. Porque quando vejo disputas, tento logo: a) se puder, apaziguar o conflito; b) se não puder apaziguar o conflito (o que é o caso), tento escolher um dos lados para defender. Daí querer ler os dois para, brevemente – assim espero – decidir-me quem tem (a) razão. O Pankaj não escolheu o Juan Gabriel Vasquez como vencedor do prémio mencionado anteriormente e isso não lhe deu pontos na minha cabeça; mas, a bem da justiça, diga-se que ele provavelmente leu os finalistas todos e eu só li o colombiano. No fundo, era só a vontade de que tivesse sido vencedor alguém “que eu já conheço”. Dito isto, tenho a certeza que irei gostar de conhecer a Jokha Alharthi – bem como, já agora, a polaca Olga Tokarczuk (vencedora do ano passado, autora das Viagens – não, não fez dueto com o Abrunhosa no seu primeiro álbum).

Depois das europeias teremos as legislativas. Em outubro. Votarei novamente.

 

Vem, amigo, vem. Vem até às urnas. Ou não. Viva a liberdade.

 


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