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O Homem do Piano

Liliana Machado 04.01.2016

 O nosso homem do piano é íntimo das teclas, das cordas e dos pedais. O nosso homem do piano chama-se Paulo Mesquita. Um breve olhar pela sua biografia diz-nos que estudou piano no Conservatório de Gaia, prosseguiu estudos na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE), no Porto, onde se formou em Piano. Bolseiro de investigação de doutoramento da FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia) para o estudo, análise e interpretação da obra para piano e integrante do Concerto para Piano e Orquestra do compositor Samuel Barber. Atualmente, Paulo Mesquita é estudante de PhD da Educação Artística na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

Está apresentado o nosso homem do piano. Vamos, agora, às emoções.

Quem já teve o privilégio de o ver sentado ao piano sentiu, com certeza, estar numa outra dimensão. Ele funde-se com ele, vibra com o som, rende-se à grandeza das notas. Quem já teve o privilégio de falar com ele reconhece-lhe a paixão e a entrega. É um portuense com talento. Prova disso são os concertos já dados, os agendados e os álbuns já lançados: “Piano Harp and Percussion”; “13 Sketches for a Landscape” e “12 Sketches for a Soundscape”. O seu mais recente projeto é o duo OZO que junta o nosso homem do piano Paulo Mesquita e Pedro Oliveira dos peixe:avião (uma banda de Braga), baterista ligado ao universo pop/rock.

O seu percurso arranca com a dedicação à interpretação de piano na música clássica, mas Paulo Mesquita decidiu arriscar e extrair de si as suas habilidades como improvisador e compositor.

O músico portuense não se deixa enamorar só pelas teclas, ele explora todo o corpo do piano. Ele arranca de um piano todas as máximas que, para nós, são desconhecidas e dá ao seu público uma surpreendente mistura de sons, todos eduzidos do mesmo instrumento.

Define o seu género como “jazz escrito de maneira sinfónica, mas sempre com influência da clássica” e revela-se como um músico de formação clássica, mas que retém influências de tudo, “até do rock”. Como já referiu numa entrevista, o seu primeiro álbum Piano Harp and Percussion define a sua música: “uma conjugação do piano na associação da tecla; as cordas do piano e todas as superfícies ressonantes do piano.” Podemos dizer que o Paulo Mesquita, o pianista clássico apaixonado por jazz, vive o piano como um todo. Abraça as suas potencialidades, não se perde num só pormenor, mas em todos os detalhes e demora-se neles.

Suga do piano uma performance mais ampla, encarando-o como um instrumento não só de teclas, mas também de cordas e de percussão. Esta mistura faz dele um músico peculiar e que foge ao registo mediático. É preciso deixar-se entranhar para submergir na beleza do som vertiginoso que sai das suas mãos.

O nosso homem do piano… é o próprio piano.

 


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