viver

“Veneno do povo”

Liliana Machado 04.01.2016

Noites quentes e estreladas. Uma mesa de verão plantada numa rua agitada. Bebidas frescas e deliciosas que descem contrariando o movimento ruidoso da rua, em paz, em silêncio, em profunda meditação. Rasga-me o sonho uma viagem até 1837, num pedaço de leitura de um texto ao estilo “quem te avisa teu amigo é” do Jornal Médico Cirúrgico de Londres, publicado no Panorama de 1837. Assim, quando encostar os rosados lábios ao copo, lembrar-me-ei que os nervos do estômago têm uma relação íntima com os do cérebro e que beber ativa estes nervos causando “insensibilidade e estupidez, movimentos irregulares e convulsos”. Cá está um conselho com séculos de sabedoria.

Ai… o quanto eu gosto de um Gin!

“O uso das bebidas espirituosas, sem serem misturadas com água, causa uma irritação no estômago que se patenteia com dores e calor neste órgão: a isto segue-se a inflamação das delicadas túnicas desta víscera e, às vezes, a gangrena. Semelhante uso dá também resultados iguais ao do veneno. Além da doença local que produzem, obram as tais bebidas sobre os nervos do estômago que têm íntima conexão com os do cérebro e causam a insensibilidade e estupidez, movimentos irregulares e convulsos, dificuldade de respirar, sono profundo e, muitas vezes, morte repentina. O hábito de beber com frequência e em grande quantidade licores espirituosos causa uma inflamação lenta, que progride insensivelmente e que, por isso mesmo que se não sentem os seus progressos, aparece muitas vezes tão tarde, que já se lhe não pode acudir.” In Panorama de 1837.

 


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