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Jogos de recreio

Liliana Machado 04.01.2016

Sou do tempo da macaca. Do esconde-esconde. Ahh… o jardim da celeste – giroflé giroflá, giroflé flé flá! Não consigo esquecer o jogo do anel; a apanhada; o jogo do berlinde; o macaquinho do chinês; a cabra cega; o jogo do eixo… enfim, um número infinito de brincadeiras que arrancavam gargalhadas no recreio da escola. Lembro ainda que, naquela altura, o recreio era já palco de lutas territoriais, em que o mais forte dominava a cena; escolhia as melhores equipas para as brincadeiras e era o líder.

 

Tenho, ultimamente, recordado o recreio da minha infância, na velhinha escola de chão de madeira, que rangia aos nossos passos, denunciando possíveis malandrices. Os culpados desta recente lembrança são os atuais cenários político e desportivo que, diariamente, passam diante dos meus olhos no ecrã: há até alturas em que, ao ver o telejornal, me recordo do “Vitinho” a desejar-nos “Boa Noite”, naquela voz terna e tão infantil.

 

Nestes últimos meses vi o Toninho (Costa) e o Pedrito (Passos Coelho) a lutar pelo recreio, para ver quem dominava a cena, quem escolhia as melhores equipas e se tornava, assim, o líder. Nesta luta, parece que o Toninho saiu vencedor. Fez batota? Isso faz parte da vida. Aliás, essa é a primeira lição que, na infância, o recreio da escola nos dá. No entanto, Pedrito fez birras; sentou-se a um canto (na bancada parlamentar); é sempre do contra e agora ri de tudo. O Toninho bem canta: “atirei o pau ao coelho-lho-lho; mas o Coelho-lho-lho, não morreu-eu-eu”. Pois não, e vamos ver se ainda tem fôlego para o jogo do eixo, para saltar por cima da zona lombar do Toninho. No entanto, neste recreio, quem anda a jogar ao esconde-esconde é o menino Jerónimo que volta meia esconde-se tão bem, que ninguém o vê, nem ouve. O Paulinho (Portas) mete-se mais no jogo do anel, para ver o que lhe calha. O menino Aníbal (Cavaco Silva), pelos vistos, tem preferência pelo jogo da estátua e a Catarina pensa que lá o Parlamento é o jardim da celeste e está sempre no giroflé, giroflá. Um que causa preocupação na professora é o Zézinho (Sócrates), pois prefere os jogos digitais e está sempre agarrado à psp vita a jogar Prison Break.

 

Num outro recreio, situado nas traseiras desta velha escola lusa, está o Bruninho (Carvalho) que volta e meia amua; faz queixinhas no jornal da escola; arrelia os colegas no jogo da bola e compele o amigo selecionado para apitar a torcida. E enquanto o Luisinho (Filipe Vieira) estava distraído a contar, de olhos fechados: “um, dois, três, macaquinho de chinês”, o Bruninho, manhoso, fingia-se de morto, mas foi roubar-lhe um comparsa de jogo. O Jorginho (Jesus) anda consolado a jogar a apanhada e, volta e meia, lá arrelia os amigos adversários com um fantástico jogo do berlinde (alguém vai soprando para as bolas rolarem melhor). Já o menino estrangeiro, vindo de terras de nuestros hermanos, Julenzito (Lopetegui) ainda não conseguiu enturmar-se nas brincadeiras e, às vezes, dão com ele no recreio a jogar sozinho à cabra-cega: ora volta e meia acerta, outra meia volta e não acerta coisa alguma.

 

Para terminar, só para dizer que, às vezes, os telejornais parecem-se muito com o jogo da macaca, para não dizer com uma grande macacada. Deixo-vos a música do Jardim da Celeste, onde se vai colher uma flor para a Maria… deve ser a de Belém.

 

Já tocou para o recreio, amigos… vou saltar à corda, que tenho mais que fazer do que estar aqui a escrever esta redação.

 

 

 


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